🌩️ NIMBUS & OS GUARDIÕES DO SEGREDO
Trilogia A Cidade das Nuvens — Livro 1
Personagens principais:
Theo — menino de 9 anos, curioso, corajoso e um pouco atrapalhado
Mumu — um monstro pequenino azul, peludo e rechonchudo, que ri de tudo e tem medo de escuro
Sira — menina de 10 anos, inteligente, séria mas com um sorriso escondido
Professor Rabisco — professor de Cartografia das Nuvens, velhinho com orelhas de coelho e gravata borboleta que voa de verdade
A Sombra Sem Nome — a ameaça misteriosa que ninguém quer mencionar…
CAPÍTULO 1 — A Carta que Chegou Voando
Era uma manhã comum quando a carta caiu no prato de mingau de Theo.
Não pelo correio. Não pela janela. Ela simplesmente apareceu — puf! — bem no meio do café da manhã, molhando a ponta no leite e deixando um rastro de tinta dourada na toalha.
Theo olhou para a carta. A carta parecia olhar de volta.
— Isso é… normal? — ele perguntou para ninguém.
Ninguém respondeu. Sua avó estava no jardim falando com as plantas, como todo dia.
Theo pegou o envelope com cuidado. Era feito de um papel diferente de tudo que ele já vira — macio como nuvem, brilhante como lua cheia. No centro, seu nome estava escrito com letras que mudavam de cor:
Para: Theo Almeida Trovão
De: A Cidade de Nimbus
Assunto: Você foi escolhido
— Escolhido pra quê?! — Theo abriu o envelope tão rápido que rasgou metade da carta.
Mas as letras se reorganizaram sozinhas, como se estivessem acostumadas com crianças impacientes.
Prezado Theo,
Você possui o Dom das Nuvens. Isso significa que consegue enxergar o que a maioria das pessoas não vê. Nimbus precisa de você. Um transporte chegará amanhã ao amanhecer. Não se atrase — as nuvens não esperam ninguém.
P.S.: Traga uma jaqueta. É ventoso aqui em cima.
Theo leu três vezes. Depois leu mais uma vez de cabeça para baixo, só para ter certeza que não estava sonhando.
Não estava.
CAPÍTULO 2 — O Transporte Mais Maluco do Mundo
No dia seguinte, ao amanhecer, Theo estava na varanda com sua mochila, uma jaqueta e o coração na garganta.
O transporte chegou pontualmente.
Era uma nuvem. Uma nuvem de verdade, fofa e branca, flutuando na altura da varanda. E em cima dela havia um… ser.
Pequeno. Azul. Redondo como uma bola de futebol com pernas. Com dois olhos enormes amarelos que piscaram para Theo ao mesmo tempo.
— OI! — gritou a criatura com uma voz aguda que fez os pássaros do jardim saírem voando com susto. — Eu sou Mumu! Sou seu guia! Você é o Theo? Você parece o Theo! Tenho certeza que é você! Vamos logo que eu odeio quando a nuvem balança muito!
Theo ficou parado.
— Você é um… monstro?
Mumu franzou as sobrancelhas — que eram dois tufos de pelo azul ainda mais escuro.
— Monstro é palavrão! — reclamou, cruzando os bracinhos. — Eu sou um Fluffo. É completamente diferente.
— Qual é a diferença?
— Fluffos são muito mais fofos. — Mumu deu uma voltinha para provar o ponto. — Viu? Perfeito. Agora sobe logo que a nuvem tá começando a pingar!
CAPÍTULO 3 — Nimbus
Theo nunca imaginou que uma cidade poderia ficar em cima das nuvens.
Mas Nimbus existia — e era impossível não ficar de boca aberta.
As casas eram feitas de névoa solidificada, translúcidas e brilhantes como bolhas de sabão gigantes. As ruas eram de nuvem compactada, macias sob os pés como tapete. E por todo lado havia crianças — crianças normais como Theo — caminhando ao lado de criaturas de todos os tamanhos, formas e cores.
Um menino passeava com o que parecia ser uma lagartixa cor-de-rosa do tamanho de um cachorro.
Uma menina de tranças longas conversava animadamente com uma estátua que respondia bocejando.
Dois gêmeos disputavam uma corrida montados em nuvens menores, enquanto um ser laranja rechonchudo tentava arbitrar a corrida sem conseguir acompanhar nenhum dos dois.
— Bem-vindo à Nimbus — disse Mumu, estufando o peito com orgulho. — A única cidade do mundo onde crianças com Dom e Guardiões vivem juntos!
— Guardiões? — Theo olhou ao redor, encantado e confuso ao mesmo tempo.
— É o nosso nome oficial! — Mumu apontou para si mesmo. — Eu sou seu Guardião. Cada criança com Dom recebe um. Somos responsáveis por guiar, proteger e… — ele hesitou, — …às vezes também por atrapalhar um pouquinho. Mas só por acidente.
Theo ia perguntar o que era o “Dom” quando alguém bateu no seu ombro.
Era uma menina de cabelos cacheados pretos, óculos redondos e expressão de quem já sabe tudo mas finge que não.
— Você deve ser o novato — ela disse. — Sou Sira. Já estou aqui há três semanas. Posso te contar o básico, mas você vai precisar descobrir o resto sozinho. — Ela parou. — Esse é o jeito que Nimbus funciona.
— Descobrir o quê?
Sira e Mumu se entreolharam.
— O Segredo — disseram ao mesmo tempo.
CAPÍTULO 4 — A Escola das Nuvens
A escola de Nimbus não tinha nome oficial. Todo mundo chamava de A Escola, como se houvesse só uma no mundo — e para eles, havia.
Era um prédio enorme que flutuava levemente acima do resto da cidade, conectado por pontes de vidro que balançavam com o vento. Theo cruzou a ponte segurando no corrimão e tentando não olhar para baixo — lá embaixo havia só nuvens e, muito mais abaixo, o mundo normal que ele conhecia.
— Não olha pra baixo — recomendou Mumu do seu ombro.
— Já olhei.
— Então para de olhar.
A primeira aula do dia era com o Professor Rabisco — Cartografia das Nuvens, que Theo descobriu ser uma matéria onde você aprende a ler mapas que mudam o tempo todo.
O professor era um homenzinho minúsculo com orelhas compridas de coelho e uma gravata borboleta que, Theo percebeu com espanto, era uma borboleta de verdade. A criatura abria e fechava as asas tranquilamente enquanto o professor gesticulava.
— Nuvens, jovens! — o professor bateu palmas. — São mapas vivos! Cada forma conta uma história. Aquela ali — ele apontou para a janela — parece um elefante, o que significa que algo grande está chegando. Aquela outra, em espiral, significa mistério. E essa aqui, ó…
Ele apontou para uma nuvem estranha no horizonte. Escura. Com bordas que pareciam tremer.
O professor parou de falar.
A sala ficou em silêncio.
— Professor? — Sira ergueu a mão. — O que essa nuvem significa?
O professor Rabisco ajeitou os óculos, fechou o mapa e sorriu — mas era um sorriso que escondia alguma coisa.
— Significa que a aula acabou por hoje!
CAPÍTULO 5 — O Primeiro Segredo
Naquela noite, Theo não conseguia dormir.
O dormitório era confortável — uma cama de nuvem genuína que se moldava ao corpo e cheirava a chuva fresca. Mumu dormia enrolado numa almofada perto dos pés da cama, roncando suavemente e soltando pequenas bolhas de ar azul pelo nariz.
Theo ficou olhando para o teto.
A nuvem escura com bordas trementes.
O jeito que o professor mudou de assunto.
O jeito que Sira e Mumu se entreolharam quando falaram o Segredo.
Ele levantou sem fazer barulho. Ou tentou — pisou em Mumu sem querer.
— AAAAAH! — Mumu acordou com um salto, bateu a cabeça no beliche de cima e caiu de volta na almofada. — O QUÊ? CADÊ? O QUÊ FOI?
— Shhh! — Theo fez sinal com a mão. — Vim te acordar de propósito. Vamos descobrir o que é o Segredo.
Mumu esfregou os olhos enormes.
— Agora?
— Agora.
— De noite?
— Sim.
— Mas é escuro.
— Mumu.
— Fluffos têm medo de escuro! É um fato científico!
— Você pode fazer aquela coisinha que você faz — Theo apontou para os olhos amarelos de Mumu, que brilhavam levemente no escuro como lanternas pequenas.
Mumu olhou para os próprios olhos. Piscou duas vezes.
— …justo.
Eles encontraram Sira no corredor — ela já estava lá, com uma lanterna e um caderno de anotações.
— Sabia que vocês iam aparecer — ela disse, sem surpresa nenhuma. — Vim na frente.
— Como você sabia? — Theo perguntou.
— Porque novatos sempre querem descobrir o Segredo na primeira semana. — Ela virou e começou a caminhar. — Eu quase descobri. Vem.
CAPÍTULO 6 — O que Estava Escondido nas Nuvens
Eles seguiram os corredores silenciosos da escola, desceram por uma escada que Theo nunca tinha visto antes — escondida atrás de um quadro que representava uma nuvem enorme — e chegaram a uma porta de madeira antiga com um único símbolo gravado nela:
Uma nuvem com um raio dentro.
— Já tentei abrir antes — disse Sira. — Não consigo.
Theo olhou para a porta. Algo estranho aconteceu — os dedos formigaram, como quando você acorda o braço que estava dormindo, mas por todo o corpo de uma vez.
Ele colocou a mão no símbolo.
A porta abriu.
Os três se entreolharam.
— Dom das Nuvens — Mumu sussurrou, impressionado. — Eu disse que ele era especial.
Atrás da porta havia uma sala circular. No centro, flutuava um cristal do tamanho de uma cabeça humana, pulsando com uma luz suave que ora era azul, ora era dourada.
E nas paredes — mapas. Centenas deles. Todos mostrando a mesma coisa: Nimbus. Em diferentes épocas. Em diferentes estados.
E em todos eles, no horizonte, havia a mesma nuvem escura.
— Ela sempre esteve lá — Sira leu uma anotação pregada numa das paredes. — A Sombra Sem Nome. Não pode ser vista por adultos. Apenas crianças com Dom conseguem percebê-la. E se ela chegar a Nimbus…
O texto parou.
Arrancado. Faltava o pedaço mais importante.
— Se ela chegar a Nimbus, o que acontece? — Theo perguntou.
Silêncio.
Mumu apertou o braço de Theo com os dois bracinhos pequenos.
— Acho — ele sussurrou, — que é isso que precisamos descobrir.
CAPÍTULO 7 — O Fim do Começo
Nos dias seguintes, Nimbus pareceu diferente para Theo.
Ainda era linda. Ainda era mágica. Os professores ainda eram excêntricos, as aulas ainda eram incríveis, e Mumu ainda tropeçava em tudo que era possível tropeçar.
Mas agora Theo sabia que havia algo escondido.
Uma ameaça que só crianças podiam ver.
Um segredo que os adultos guardavam — ou talvez nem soubessem guardar.
E um cristal que pulsava com uma luz que parecia chamá-lo.
— Você tá pensativo — disse Mumu, sentado no seu ombro enquanto comiam no refeitório. — Parece aquela nuvem em forma de interrogação que o professor mostrou.
— Estou pensando que talvez a gente tenha sido trazido pra cá por uma razão — disse Theo.
— Claro que sim — Sira colocou o garfo na mesa. — A carta disse que você foi escolhido. Eu também fui. Provavelmente todas as crianças aqui foram.
— Escolhidos pra quê? — Theo olhou para a janela, onde o horizonte estava, por hoje, limpo e azul.
— Escolhidos pra fazer o que os adultos não conseguem fazer — disse Sira simplesmente. — Ver o que eles não veem. E parar o que eles não conseguem parar.
Mumu olhou de um para o outro com seus olhos imensos.
— Então… a gente vai salvar Nimbus?
Theo e Sira se entreolharam.
— Acho que sim — disse Theo.
— Ótimo! — Mumu bateu palminhas. — Adoro uma boa aventura! — Pausa. — Vai ter escuro?
— Provavelmente.
— …ainda adoro uma boa aventura.
FIM DO LIVRO 1 🌩️
A Sombra Sem Nome está chegando.
O cristal esconde um segredo maior do que qualquer um imagina.
E Theo, Sira e Mumu estão apenas começando a entender o que significa ter o Dom das Nuvens.
No Livro 2 — Nimbus e a Sombra Sem Nome:
A ameaça se aproxima. Um professor esconde algo. E uma criatura que ninguém esperava pode ser a chave para tudo.
Nimbus & Os Guardiões do Segredo — Livro 1
Uma história original do Mundo do Imaginar
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